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Assembleia escreve página triste da história do Rio Grande do Sul, diz Sartori


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Foto: Dani Barcellos/Palácio Piratini -
Foto: Dani Barcellos/Palácio Piratini -

Após o término dos três dias de convocação extraordinária da Assembleia Legislativa sem que nenhuma das quatro propostas da Ordem do Dia fosse votada, o governador José Ivo Sartori fez um pronunciamento no Palácio Piratini no início da noite de quarta-feira (31). "Passaram três dias e a presidência da Assembleia, com o apoio dos deputados da oposição, não votou nada. Absolutamente nada. Não é que foram contra ou a favor - muito pior: não deixaram votar. Um Parlamento que não vota? Isso não é possível".

Acompanhado de secretários de Estado e deputados, Sartori frisou que convocou extraordinariamente a Assembleia Legislativa para votar apenas quatro matérias de alta relevância para o futuro do Rio Grande do Sul. "Não foi uma convocação pessoal, minha, do Sartori, do meu partido. Foi o governador do Estado que convocou o Parlamento".

Sartori lamentou: "É a primeira vez na história que isso acontece! Uma página triste para a política do Rio Grande do Sul e para o nosso Parlamento, que tanto nos honrou. Uma radicalização claramente motivada por finalidades políticas e eleitorais. É meu dever denunciar que manobras protelatórias de uma pequeneza infeliz estiveram acima do interesse do Rio Grande".

O governador enfatizou que não é momento de ironia, de brincadeira. "É momento de seriedade e de responsabilidade. Essa manobra não foi contra o meu governo. Foi contra o Estado do Rio Grande do Sul. Aguentei calado uma oposição radical, que causou grande parte da crise que está aí, mas não ajudou em nada a sair dela. Votou contra, ou se absteve, em todos os nossos projetos importantes". 

"Vou continuar com o meu papel institucional, respeitando a autonomia do Parlamento, mas tudo tem limite. Essa realidade precisa ser dita e compreendida pela sociedade. Quem vai responder pelo atraso dos salários? Pelo pagamento dos hospitais? Pelo pagamento aos municípios? Se a liminar que suspende o pagamento da dívida do Estado com a União cair amanhã, esses setores políticos vão ser responsabilizados. Se o atraso dos salários aumentar, esses setores políticos vão ser responsabilizados", enfatizou.

Representantes ou militantes?

Sobre a polêmica da Ordem do Dia, Sartori qualificou a manobra de "desculpa esfarrapada". Frisou que três dos quatro projetos - as três PECs - da pauta da convocação extraordinária tramitam na Assembleia desde 2016. "E as PECs, que pedem a retirada do plebiscito para alienação da CEEE, CRM e Sulgás, vão continuar percorrendo o caminho normal dentro da Assembleia". 

O governador questionou ainda a condução dos trabalhos no Legislativo. "Em 42 anos de vida pública, eu nunca tinha visto uma coisa assim, da maioria da Assembleia ser impedida de votar os programas de interesse do governo. Convocação extraordinária é convocação do Poder Executivo. Eu não tenho preconceito contra ninguém. Mas já fui presidente da Assembleia e outros aqui também. Sempre nos comportamos como o presidente de um poder. E nunca como representante ou militante de um partido político".