Economia

Cenário Macroeconômico


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Por: Laoni da Cunha


 

Entramos em mais um ano com muitas incertezas do que teremos pela frente em termos de economia. Diante do atual quadro político e fiscal teremos um ano desafiador. Com as incertezas e o desalinhamento do poder Executivo e Legislativo, deveremos fechar o ano mais uma vez com déficit primário, pois a arrecadação continuará em queda e os gastos obrigatórios em alta.

Falando em Dólar, com este agravante crescente nas contas públicas a previsão é de que a situação tende a piorar ao longo do ano, com uma projeção de Taxa de Câmbio (R$/US$) entre R$4,20 a R$ 4,55. Com isso a deterioração da atividade econômica continuará neste ano, uma vez que o consumo das famílias ficará em queda, bem como os investimentos, projetando assim uma queda no PIB em 3,6%, pois a retração na produção industrial foi mais acentuada no final de 2015.

Quanto ao quadro inflacionário, este se mostra adverso no curto prazo. Mesmo com a possibilidade de os preços cederem a partir do início do terceiro trimestre, a inflação ainda será elevada para este ano, com uma projeção de 7,7% em 2016 e de 6,0% para 2017.

A taxa de juro é outro fator assustador na economia, que dependendo do seu comportamento poderá desencadear uma recuperação do setor ou uma retração ainda maior. Mesmo com um cenário de inflação alta, as projeções são de que o Banco Central tenderá a iniciar um ciclo de redução na taxa de juros ainda este ano, mais precisamente ao final do terceiro trimestre, mesmo correndo o risco de descumprir pelo segundo ano consecutivo a meta da inflação. Desta forma a projeção da Taxa SELIC que hoje está em 14,25% a. a. deverá fechar este ano em 13,00% a. a.

Diante de tudo isso a desaceleração do crédito deverá se intensificar ao longo deste ano, visto que a atividade econômica continuará fraca e com o alto endividamento das famílias e a falta de capacidade de pagamento, as instituições serão obrigadas a diminuir a concessão de crédito. Assim a projeção de crescimento da carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional para 2016 é de 3,0%, ou seja, uma retração quando descontada a inflação projetada.

Com isso, nossa conclusão é de que teremos um ano de muitas especulações financeiras, onde as empresas terão que fazer muito bem os cálculos de viabilidade econômica para realizarem seus investimentos, da mesma forma as famílias deverão organizar suas contas financeiras, para que durante este período de incertezas possam suportar os gastos fixos de manutenção familiar, suportar algumas despesas extras que possam ocorrer e projetar muito bem os seus investimentos quanto a real necessidade e capacidade de pagamento.  Com estas medidas econômicas básicas e com o acompanhamento dos ajustes da situação econômica a nível de Brasil, todos conseguirão suportar as adversidades econômicas projetadas pelos economistas, e desta forma irão manter a sua capacidade de investimentos sem comprometer e seu patrimônio.

Laoni da Cunha - Gerente do Sicredi de Fontoura Xavier